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    September 04

    Como lidar com alunos problemáticos?

    É comum ouvir professores em reuniões pedagógicas comentarem a respeito dos alunos: “Aluno é a imagem do cão!”; “Escola boa é aquela sem aluno!”. Citado dessa forma, soa bastante ofensivo e relembra situações de guerra.

    No cotidiano escolar, sabe-se que as relações interpessoais não são sempre positivas. A violência crescente na sociedade ultrapassa os muros escola adentro. Além disso, o contexto social, político e econômico brasileiros em que a escola está inserida, contribuem para o estabelecimento de relações interpessoais desfavoráveis e deletérias.

    Nesse contexto, a sala de aula assemelha-se a uma arena de luta, cujos participantes, cada qual com seus problemas, disputam poder e lutam pela sobrevivência.

    Para relacionar-se com alunos “problemas”, especificamente com problemas de comportamento e relacionamento, o professor pode agir de maneira ética, respeitosa, satisfatória, positiva e construtiva para o crescimento do aluno sem perder a autoridade, o afeto, sem ser permissivo ou, sem ser opressor.

    O aluno identificado como “problema” por muitos professores é aquele que se comporta em aula de maneira a:

    1. retrucar o que o professor diz;
    2. indagar ou responder as perguntas do professor repetidas vezes;
    3. objetar às observações e às avaliações contínuas do professor;
    4. contestar as normas da escola;
    5. esquivar-se de realizar atividades e tarefas propostas pelo professor;
    6. rechaçar comentários dos colegas;
    7. desrespeitar os valores do grupo, do professor, da escola e, enfim, da sociedade.

    Para resolver positivamente as situações de conflito com os alunos, é útil ao professor:

    1. Receber a queixa, dúvida, comentário, opinião, etc. Acolher o sentimento do aluno quando os expressa.

    2.Observar a comunicação verbal e não-verbal do aluno. Ouvir atentamente o que ele diz e perceber como o diz. Observar o tom da voz, a respiração, a gesticulação, a expressão facial, etc.

    3. Manter a segurança em si mesmo e o domínio de ações e palavras.

    4. Dissociar na mensagem a fala ou o comportamento do sentimento e da intenção positiva subjacentes. O comportamento pode ser indesejado pela escola, pelo professor e pela sociedade, mas a intenção desse comportamento pode ser positiva, bem como o sentimento pode ser legítimo. Por exemplo:

    a. quando o aluno se defende retrucando, o sentimento pode ser raiva, ou insatisfação, ou incompreensão; o comportamento pode ser a desobediência, a agressividade, a ironia, o desrespeito, a indisciplina;

    b. quando o aluno não reconhece um erro cometido e se justifica agredindo verbalmente, a intenção positiva (para o aluno) é de autodefesa; o comportamento é de combatividade;

    c. quando não realiza tarefas com argumentos de uma lista de problemas pessoais; o sentimento pode ser de frustração, de desmotivação, de fracasso, de carência afetiva, necessidade de ajuda; o comportamento é a indisciplina, ou preguiça, etc.

    d. ao contestar o professor em aula com a defesa de outro ponto de vista, ou de outras teorias, a ação positiva desse comportamento pode ser ter a coragem e a capacidade de expressar-se verbalmente e promover o  enriquecimento da aprendizagem, ampliando o conjunto de informações e o conhecimento da turma e do professor; o comportamento que deve ser corrigido é a forma de realizar a contestação e o momento adequado. Pode também aproveitar a oportunidade para desenvolver nos alunos a atitude de ter flexibilidade nas opiniões.

    1. Começar argumentando no tom e no ritmo de voz do aluno, às vezes é necessário, mas diminui-los até finalizar demonstrando calma e tolerância.

    2. Revelar para o aluno que entende o sentimento e/ou a intenção positiva, entretanto, que não concorda com (ou não aceita) a atitude ou o comportamento indesejado no contexto em que ocorre.

    3. Valorizar os aspectos positivos da questão levantada ou da defesa apresentada pelo aluno.

    4. Concordar com a intenção positiva do aluno e citar outros comportamentos mais adequados tendo em vista o convívio social civilizável e as relações interpessoais positivas.

    5. Responder a pergunta com preceitos da doutrina, ou da área do saber, ou do conhecimento científico/técnico/tecnológico, ou ainda, conforme as regras, normas e valores da escola, socialmente estabelecidos.

    Com isso, o professor evita entrar na armadilha emocional do aluno e ainda, contribui para auxiliá-lo no desenvolvimento das Inteligências Interpessoais e Intrapessoais propostas por Gardner, à medida que o aluno reconhece mais seus sentimentos e atitudes, aprende a lidar com eles numa perspectiva encorajadora e que escolhe modificar os comportamentos indesejados.

    O sentimento, ou o ato ou efeito de sentir-se (Acepção extraída do Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0.), deve ser considerado legítimo e, portanto, deve ser acolhido como manifestação humana autêntica. O comportamento é que pode ser modificado e/ou adaptado, uma vez que todo comportamento é adequado em algum contexto.

    É preciso também que, conforme a teoria psicanalítica, o professor reconheça ser o alvo da transferência de amor e ódio dos seus alunos e saiba suportar esses sentimentos tendo em vista o seu papel para o desenvolvimento humano. Portanto, é preciso possuir auto-estima, auto-imagem, autoconceito, ou seja, é preciso Inteligência Intrapessoal. Além disso, o professor precisa de experiência e do contínuo aprimoramento das competências técnica/tecnológica/científica e pedagógica.

    Danielle Paiva, é pedagoga licenciada pela Universidade de Brasília. Pós-graduada em Psicopedagogia. Contato: danielle10@ibest.com.br

    Fonte: JORNAL VIRTUAL PROFISSĂO MESTRE - Profissăo Mestre – Ano 6 Nº 83 – 03/09/2008

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